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Minha avó.

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Minha avó hoje faria 100 anos, se ainda estivesse com a gente.Matriarca da família, amada e admirada por todos, estava sempre presente de alguma forma, na vida de cada um de nós. Faleceu lúcida aos 90 e muitos anos. A última palavra que ela me disse, no leito do hospital, foi "obrigado". Porquê ela me agradeceu, não pude imaginar naquele momento. Mas hoje, aqui do lado da minha neta, talvez eu entenda um pouco. Como agora entendo todas as histórias exageradas que eu escutav a sempre minha mãe e minhas tias contarem. De como ela chorava tanto ao se despedir de mim, que teve que se mudar para são João del Rei, onde eu nasci e morei toda minha infância. De como ela abriu um buraco na parede entre a casa dela e a de meus pais, para que eu pudesse passar por ele e estar com ela bem cedo, pela manhã. Esse amor exagerado é o mesmo que eu sinto pela minha neta afinal! Eu é que tenho que agradecer o amor tão grande que ela me deu até o fim da sua vida. Essas são fotos que eu fi...

10-"Morre o ex-Conselheiro Jose Luiz Baccarini"

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Meu pai adorava essa figura, essa   charge   feita por um amigo, e é com ela que eu finalizo estas publicações. José Luiz Baccarini, advogado, com uma cabeça enorme e um rosto tranquilo; um bandido de uniforme listrado sentado num banquinho ao fundo, com um guarda ao lado. E o advogado defendendo o acusado. Era essa a ideia que ele fazia do direito, a defesa do acusado, do mais pobre, do mais fraco. Muitas vezes do sabidamente culpado por algum delito grave. Meu pai via o ser humano como alguém que intrinsecamente errava, as vezes muito, mas que sempre devia ter uma segunda chance, sempre devia ser perdoado. Talvez porque ele também se sentisse no direito de ser sempre perdoado, e foi, na maior parte das vezes. Para nós, seus filhos, essa   charge   significou sempre muita coisa. Era o lado dele que nós podíamos ver. Enquanto o outro lado sempre foi um mistério. Pelo menos até o momento em que nós crescemos, ficam...

9-A caminho do Tribunal de Contas de Minas

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                      Para meu pai, o Tribunal de Contas era o desfecho de ouro da sua vida pública. E ele conseguiu o que queria. Foi muito querido dentro da casa, por seus funcionários e pelos colegas conselheiros. Ele era carismático. Um homem de aparência simples por natureza, sem muitas vaidades.  Uma pessoa que conversava igualmente com faxineiros e presidentes. Mas se orgulhava da sua carreira política, e mais ainda de ser conselheiro e presidente do Tribunal de Contas do seu estado. Aqui ele conta como aconteceu. Galeria do Tribunal de Contas de Minas Gerais

8-A amada terra natal, São João del Rei

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Meu pai foi de uma geração em que valores como amizades pessoais, palavra e terra natal foram praticados na sua essência. Uma época em que as pessoas viajavam pouco para fora do seu país, em que os amigos não eram virtuais, mas se apertavam as mãos e se olhavam nos olhos, numa época em que a palavra de um homem era honrada.  Ele amava São João del-Rei, amava seus eleitores, amava sentar no Ítalo e tomar   capeletti   com a mesa cheia de amigos, regado a muita cerveja.  Seus esforços na Assembleia Legislativa e na Câmara dos Deputados iam sempre em prol da sua cidade e da sua região. Sem alarde, sem esperar agradecimentos, ele fez muito por sua cidade. E antes de terminar sua carreira política plantou a semente do que hoje é a Universidade Federal de São João del Rei. 

7-A morte de Tancredo Neves e o destino de Itamar Franco

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Uma grande decepção para meu pai foi a morte do seu mentor e líder, Tancredo Neves. Perdeu um grande amigo e por muito pouco ele deixou de ter acesso garantido ao presidente da república. Mas meu pai nunca se deixava abater. Ele tinha uma visão positiva da vida, e nisso se incluía a política. Quando Tancredo, morreu, em 1985, ele era deputado federal, já perto de deixar a política para se tornar conselheiro do Tribunal de Contas de Minas Gerais. A morte de Tancredo, e como o predestinado senador Itamar Franco chegou a presidente da república, é o que ele conta em seguida.

6-Meu pai e Tancredo Neves

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  Amigos, quase parentes. Era assim o relacionamento da nossa família com a família Neves. Continua sendo. Mas naquela época Chico Neves, irmão de Tancredo, era o grande amigo do meu pai em São João del Rei. Era para quem ele confidenciava tudo, o de bom, e o não tão bom. Aquelas nossas mazelas pessoais que só confiamos a um grande amigo, quando temos um. Foram leais amigos até o final da vida. E Tancredo era o grande mentor, e também um leal amigo. Cada “dobradinha” que faziam nas chapas eleitorais sempre foi um sucesso de votos. E foram tantos os casos que meu pai contava sobre Tancredo Neves, que para nós era como se ele fosse alguém da família também. E foi sobre Tancredo que ele mais escreveu. Era ele que meu pai mais admirava como político e como pessoa. E sua morte súbita foi um choque para meu pai, que ele procurou disfarçar de nós, como sempre fazia. Aí estão seus escritos sobre esse grande político, e que tinha também muita sorte, como ele conta. ...

5-Mestres da política

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Meu pai viveu numa época de grandes políticos, e ele se orgulhava disso. De cada um deles guardou na memória passagens engraçadas ou pequenas amostras de como fazer política, a arte da retórica e da persuasão.  Benedito Valadares, Ulisses Guimarães, Augusto Viegas, Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Itamar Franco, e outros. De todos, Tancredo Neves foi o grande mentor e amigo, o companheiro de chapas eleitorais em São João del Rei. Para a política meu pai sempre doou o que tinha de melhor: seu tempo, sua inteligência, seu bom humor e disponibilidade total.  Com a política ele pode ajudar muitas pessoas, comunidades e cidades. Esse foi o nosso consolo, da família, que acabou sempre ficando em um segundo plano. Mas aqui estão algumas dessas passagens.